quarta-feira, 16 de março de 2011

Nada gélida

O que fazer quando o seu maior segredo está à beira de ser descoberto? Você passa anos e anos construindo uma imagem defensiva e quando menos espera o seu verdadeiro eu procura a liberdade? Continuar calando-o ou deixá-lo sair do armário? Totalmente perdida.

Todos te veem (fazendo uso da nova regra ortográfica) como uma pessoa gélida, mas de gélida você não tem nada. O seu sangue ferve, o seu coração bate na frequência de uma escola de samba ou da Timbalada, Olodum... Por trás da casca, a sensibilidade em pessoa. E agora, o que fazer?

Vale à pena despir-se em pleno século XXI onde tudo é descartável ou continuar afogando o seu verdadeiro eu, um tanto barroco e ao mesmo tempo romântico? Um eu confuso, conflitante... em guerra. Ouço gritos saindo do meu peito, um coração quente e uma pele fria... urgência.

Todo corpo precisa manter a alma aquecida, preciso aquecer a minha. Tenho medo. Hematomas e feridas não cicatrizadas, retrato do meu coração. Quantos corações iguais ao meu perdidos por aí? Gelo, curativos... não é como a página de um caderno que podemos arrancar e recomeçar do zero. Nesse caso, tornamo-nos escravos de tais recursos terapêuticos.

Continuar escondida ou viver a vida? Solitária... talvez até mesmo, esquecida. É chegada a hora de abaixar as armas e deixar a chama do coração aquecer a pele? Ou continuar como um vampiro... gélido? Falta um par, um cúmplice, um amigo. Enquanto isso, aguardo o dia que alguém aceite o desafio. Day by day...